Universos que se enlaçam

Publicado em .

Conforme o menino corria pela praça parisiense, as palomas levantavam voo bem rapidinho. Palomas… Espanha; Paris… França. Europa, história antiga e rica, quem não tem um pedacinho disso tudo? Descendências e vivências.

Enquanto meus olhos passavam pelo cenário central, eu comia um doce, assado, com creme de baunilha. Quantos pés de caminhos diferentes já passaram por essa praça, mesmo agora, meio acinzentada pelo começo do inverno! Pés que buscavam o encontro com a paz, com o amor… buscavam encontrar as pessoas amadas que, simplesmente, perderam. Ainda muitos desses apenas seguiam, pois não tinham para onde ir e ninguém para recebê-los.

Ainda assim, com o tom cinzento, algumas flores coloridas faziam a praça feliz. O ambiente gris era bem maior que o colorido, mas as flores eram, antes, percebidas. Que bom!

Os passos felizes também cruzavam a praça. Eu os reconhecia por serem leves feito passos de dança… feito passos, graciosos, de criança.

Quantos universos passavam por aquele momento enquanto eu ainda comia o doce! Cada pessoa, um universo. Histórias atravessadas no tempo. Mesmo espírito cruzando a mesma praça em estágios diferentes da alma. E também quantas vezes o Sol já havia desaparecido para a lua brilhar. Sucessivamente.

E cada pessoa não sabe o que a aguarda, apenas é certo que o presente alimentará o futuro.

Dificilmente se veem pessoas tão diferentes em mesma companhia. É mais comum seres parecidos se acompanharem. A lei da atração é comprovada. As pessoas mais velhas cruzam, calmas, a praça; a experiência lhes ensinou que como o tempo é ininterrupto, compassado e caminha para a eternidade, melhor viver com mais calmaria, no entanto, isso não é ausência de energia.

Os jovens, como se o hoje fosse todo o tempo restante, atravessam com pouca percepção da riqueza ao redor, pois somente os dias experientes lhes trarão essa consciência. Chegam ao outro lado, muitas vezes, sem se darem conta de que havia outros transeuntes da vida.

Palomas pousam para comer quando sentem um pouco de segurança, elas pressentem que outros seres ainda podem lhes fazer mal.

Há pessoas paradas, perdidas, com o coração aflito se esquecendo de olhar para o céu. Há outros corações que doam mais que recebem e são tão simples e bons. Há os que passam, pela praça, de cabeça baixa, por não quererem se comprometer com outro olhar. Que pena, pois todos temos muito, beneficamente, a oferecer.

O jovem pode amparar o velho que pode ensinar o jovem.

Quando a sábia maturidade for conquistada pela parte maior dos indivíduos, as praças serão mais alegres e aconchegantes. Ao invés de pés solitários e tristes cruzarem friamente de um lado a outro, serão os pés mais brandos e conscientes a pisarem o proveitoso solo das praças vivas do universo.

E como era início de inverno, o sol se pôs mais cedo. O vento estava frio e terminei há pouco de comer o éclair. A praça estava se esvaziando, ela também precisava descansar. Mas as flores coloridas estarão presentes amanhã, quando, mais uma vez, a praça receber seus frequentadores com suas histórias, inseridos, no universo maior.

As descendências, por aqui, podem até ser diferentes, mas a família é universal, cuja eternidade, luz e amor são os princípios regidos, pelo criador, para todo peregrino da vida conquistar.