Vislumbrando o horizonte novo

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O voo para um país europeu estava atrasado. Aqui no Brasil já eram quinze e trinta. No saguão, uma família se destacou sem querer. Os pais e uma filha compunham esse núcleo.

A mãe ajeitava a jovem como a criança que, para ela, sempre será. O pai, um pouco mais estático, a acariciava com o olhar e o coração. – Que momento difícil! – constatei. – Ver a filha ir para novos rumos – coisas da vida.

Finalmente se ouviu a chamada para o voo esperado. As três fisionomias mudaram. Um pouco de lágrima, já uma saudade e um aperto que a distância trará. Há inúmeros meios de comunicação, mas o calor do abraço é insubstituível.

Quantos afagos, beijos no rosto e na cabeça, com todo zelo. Outra vez o voo é anunciado e não se pode protelar. Acenos mais distantes, muito sentidos ainda pelos pais; a filha também emocionada, mas um pouco expectante pela nova paisagem. Não há o que fazer a não ser acalmar o coração desses estimados e eternos pais.

Um suspiro profundo. As lágrimas já demoravam mais a rolar. Agora os olhos, através do vidro, buscavam a pista onde o avião se aquecia. Começou a manobra; a aeronave se dirigiu à cabeceira e a potência do motor foi acionada. Logo, criou força, assumiu direção e alçou voo para o novo céu.

Os olhos paternos, pelo vidro, ficaram novamente embargados… de saudade, de amor, de alegria; sim, de alegria, pois também procurando um céu mais alto, estava a filha que conquistara uma vaga por próprio esforço. Uma universidade europeia e novos horizontes a aguardavam.

Como o avião busca altura até se estabilizar, o espírito livre anseia  espaço para suas capacidades e desenvolvimento. O avião não era mais visto no céu, no entanto, continuava o percurso e alcançava seu objetivo.

Abraçados e sensibilizados, os pais voltavam para a nova realidade, cientes de que o anjo que lhes fora enviado já recebia a luz para trilhar na vida e progredir na alma.