Nós e a casa espírita

Publicado em .

No momento em que adentramos a casa espírita,  podemos não perceber, mas, somos imediatamente abraçados pela espiritualidade amiga. O enlace amoroso é uma forma de nos preparar para absorver o conteúdo que ali nos será repassado. Notar essas vibrações, absorvê-las, aproveitar seus efeitos benéficos, depende de cada um, da sintonia em que nos propomos estar. 

Muitos de nós chegam à casa espírita desconsolados, apreensivos, ansiosos por querer uma solução rápida para nossos problemas. Essas vibrações muitas vezes nos impedem de perceber o auxílio que vem de encontro aos nossos espíritos através das energias derramadas pelos amorosos trabalhadores do espaço. Mas, se não percebemos essas vibrações em um primeiro momento, logo seremos tomados por elas quando realmente nos engajarmos no trabalho e nos estudos. É quando passamos de fato a fazer parte da casa espírita, ainda que no plano físico não assinemos nenhum papel. 

A frequência regular à casa espírita e a prática de seus postulados, cria um elo energético que nos une à sua equipe de trabalho. A partir deste momento é que conseguimos notar que os amigos abnegados, trabalhadores do espaço, passaram a nos visitar, a nos ajudar em nossas tarefas, a contribuir para que possamos desenvolver as atividades propostas na nossa vida diária. Para isso, no entanto, é preciso novamente que sintonizemos com eles em pensamentos, em oração e em atitudes. Modificar velhos hábitos nos ajuda a manter essa sintonia abençoada pelo Mestre Jesus.

Qualquer que seja a casa espírita ou entidade beneficiente em que laboramos, os bons amigos do espaço nos ajudam constantemente, incessantemente. Para eles não há preguiça, não há tempo ruim, nada os impede de participar de nenhuma ação, nem o calor excessivo, nem  o trânsito caótico, ou mesmo as dificuldades que o corpo físico impõe a nós que cá estamos. Sem falta, minutos ou horas antes do início dos trabalhos de qualquer natureza eles lá estão prontos para nos ajudarem, mas dependem de nossa presença e disposição para a realização dos trabalhos, visto que eles nos ajudam, mas nunca fazem a parte que compete aos encarnados.

Nós somos os braços, as bocas, as pernas físicas da casa espírita. Somos nós que realizamos as atividades no campo da matéria. Somos nós que fazemos a casa espírita como ela é! Nosso compromisso em fazer pela casa, em ajudar os irmãos, em estudar melhor as coisas do espírito é imprescindível para a realização de qualquer atividade. O que é, certamente, valorizado pelo plano espiritual, por esses abnegados amigos que sintonizam conosco. Mas, uma coisa é certa, eles só conseguem nos ajudar se nós quisermos, se mantivermos sintonia com eles por meio de pensamentos elevados e obras meritórias. Quando em nosso dia-a-dia não temos o hábito de cultivar boas leituras, estudo, pensamentos bons, ações bondosas e, principalmente, a oração, estamos sujeitos às investidas daqueles que não querem nosso bem e também não querem o bem da casa espírita. Essas criaturas perturbadas (com nosso consentimento voluntário ou involuntário) acabam implantando em nós o desânimo, a desconfiança, a dúvida e especialmente a discórdia, pondo por terra nossas melhores aspirações. É uma forma de minar nossas forças. Cabe a nós, a cada um de nós, "espantar" esses maus pensamentos e substituí-los pelo estudo da doutrina espírita, pelas leituras edificantes e especialmente pelas vibrações sinceras de fazer o bem, desejando que nosso trabalho e a nossa casa espírita melhore, progrida, ajude mais gente, seja frutífera em suas ações

Nossa fé é questionadora, não é uma fé cega. Não seguimos um líder escolhido por cúpulas, não temos assuntos que não possam ser de conhecimento de todos. Nós espíritas nos escolhemos entre nós nossos dirigentes, escolhemos como amigos, como irmãos, como sabedores todos nós das imperfeições que nos cabem nesse estágio evolutivo. Os líderes ou dirigentes das casas espíritas são
 voluntários corajosos que assumem a missão de manter as coisas funcionando e melhorar o que for possível, é um árduo trabalho que fica ainda mais difícil se não houver ajuda de cada trabalhador, de cada frequentador. 

Muitas vezes a gente entra e sai da casa espírita sem se perguntar quem foi que pagou as contas (sim, é preciso pagar contas, salários de funcionários e impostos devidos), quem organizou as cadeiras, quem foi que providenciou os itens de segurança, como foram comprados os itens de higiene que lá estão? Simplesmente somos gratos pela assistência espiritual, mas não nos preocupamos com a natureza física do trabalho. Eu entendo que essa ação seja natural porque não estamos alí buscando nada material. Estamos buscando consolo para o espírito e recebemos. Resta-nos perguntar: “como posso ajudar e proporcionar que mais irmãos tenham a mesma sorte?”
 

Em recente consulta em uma página da nossa casa em uma rede social duas palavras foram constantes nos depoimentos dos frequentadores a respeito do Nosso Lar: amor e gratidão! Duas palavras fortes de muitos significados, de muito peso em nossas caminhadas. Fiquei tão satisfeita em ler cada depoimento! Aquelas palavras me fizeram ter ainda mais vontade e afinco em ver nossa casa prosperar, crescer, oferecer mais condições de trabalho a seus voluntários e frequentadores, renovou meu ânimo para o trabalho. Para tudo isso se realizar é preciso investimentos, arrecadação, colaboração. Então vamos lá, arregaçar as mangas e
abraçar o Nosso Lar e a todas as casas espíritas que, amorosamente, acolhem nossos irmãos! O momento é de
 união. Vamos juntos? Fica o convite. Abrace o Nosso Lar!

    
Fernanda Boni – Trabalhadora espírita, grata a Jesus pela oportunidade. Jornalista. Mestre em Comunicação.