O TRABALHO VOLUNTÁRIO

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Este novo conceito de solidariedade e fraternidade tem ditado no mundo um novo modelo de vida.

Registros mostram que o voluntariado ganha força, duplica possibilidades de sucesso de instituições, aumentando o volume e melhorando a qualidade dos serviços prestados. No trabalho remunerado, na grande maioria das vezes, a motivação é o salário direto ou indireto pago pelo serviço prestado. No voluntariado são inúmeras as vantagens, seja a satisfação íntima, pessoa, quase indescritível, o sorriso de quem é servido, a gratidão, as amizades que se formam e o elevado nível das relações que se estabelecem.

Há muito a se aprender com o trabalho voluntário. As mais belas conquistas sociais e educacionais estão todas sustentadas pelo amor que os seus construtores lhes dedicaram e grande parte delas, foram realizadas pelo voluntariado. Por voluntário, não entendamos aquela pessoa que faz algo durante o tempo que lhe sobra, como desencargo de consciência ou motivado por fato que lhe chame a atenção. 

Voluntário é aquela pessoa que percebeu que pode fazer um pouco mais, que saiu do universo da indiferença e da apatia e se disponibiliza a fazer algo metódico e sistemático, dentro de uma programação pessoal ou institucional.
Deparo-me muitas vezes com pessoas que se dizem voluntárias porque decidiram, por livre arbítrio, a fazer algo em favor de alguém. Foram livres para decidir fazer e agora são livres para decidir quando parar. Argumentam que se somos voluntários para disponibilizarnossa vontade, somos igualmente livres para parar de fazer o trabalho quando quisermos. Claro que podem se afastar quando quiserem. Há, contudo, reflexões a ser feitas a cada decisão que tomamos. Uma coisa é afastar-se do trabalho voluntário e outra é abandonar o trabalho.

Esta visão é míope e desrespeitosa para com o trabalho realizado, a realizar, para com a equipe, para com os beneficiários do trabalho que ficam na expectativa e com o planejamento da instituição. Mesmo nas empresas onde o trabalho é remunerado, a substituição de pessoas é regulada por mecanismos de modo a que a tarefa não seja prejudicada. 

Ninguém é insubstituível, dizem alguns, mas será preciso encontrar quem ocupar a vaga daquele que sai e se o voluntário ama mesmo o trabalho e o resultado dele, se ama a instituição, deve agir com grandeza de esperar que se encontre o substituto e até auxiliar a encontrá-lo.

O amor ao trabalho e ao bem deve ser ampliado além do resultado visto. O trabalho nunca está dissociado da equipe, dos beneficiários e da instituição. Por isto, cumpre a aquele se oferece ao trabalho voluntário estar ciente das suas responsabilidades. Até oferecer-se, nenhuma responsabilidade tem. Mas depois de assumir o compromisso precisa estar atento para não prejudicar o trabalho, do que prestará contas. Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo, no capitulo 20, item 5:

"Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra", porquanto o Senhor lhes dirá: "Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!" Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: "Graça! graça!" O Senhor, porém, lhes dirá: "Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra”.

Em qualquer trabalho que executamos haverá divergências. Elas são salutares, importantes e necessárias. É do conflito de ideias que nascem as melhorias. Chega a ser entediante trabalhar num local onde ninguém oferece opiniões ou sugestões para melhorias. Não haverá progresso. Outra coisa, contudo, são as discórdias. Estas desagregam, minam o trabalho, desanimam os menos encorajados e abrem portas para influências externas. 

Deploráveis são as atitudes de atribuir a quem fica trabalhando as responsabilidades pelo afastamento. Todo trabalhador que gosta do trabalho que faz, que ama o grupo que o recebeu, que respeita a liderança que o acolheu e considera como irmãos as pessoas que esperam sua atenção e cuidado deve primeiro avaliar-se. O grupo também deve avaliar-se, através das avaliações que resultam das reuniões periódicas. O resultado do trabalho é fruto de todas as ações de uma equipe. 

Se há sucesso, toda equipe trabalhou. Se há fracasso, que se corrijam para prosseguir, porque o trabalho é constante, permanente e nossa evolução o exige. Ninguém progride sem trabalhar. Colocar culpas nos outros fica muito bem quando apresentamos as mãos calosas do trabalho, dentro dele. Quem sai, perde o direito de falar do trabalho e deve se ocupar da nova tarefa que vai executar, porque, certamente, terá muito que aprender nela também.

José Carlos Fiorido

Publicado em: www.redeamigoespirita.com.br